O marketing de influência está entrando em uma fase em que ter visibilidade já não é suficiente. Para as marcas, o desafio será transformar alcance em conexões relevantes, escolher melhor seus parceiros e construir estratégias que façam sentido para diferentes audiências.
O mercado de influência evoluiu. Criadores de conteúdo passaram a ocupar um espaço importante nas estratégias de comunicação, ajudando empresas a apresentar produtos, construir reconhecimento e participar das decisões de consumo.
Mas essa evolução também trouxe novos desafios.
Com mais criadores, diferentes plataformas e formatos de conteúdo, as marcas precisam ir além da pergunta sobre quantas pessoas um influenciador consegue alcançar. É necessário entender quem está do outro lado da tela, qual é a relação dessa audiência com o criador e como uma parceria pode contribuir para os objetivos de uma campanha.
Os dados já apontam essa mudança.
A pesquisa #Publi 2026: influência além dos seguidores, realizada pelo IAB Brasil em parceria com a Offerwise, destaca que contexto, vínculo e credibilidade se tornaram elementos fundamentais para compreender a influência nas decisões de consumo.
E esse movimento ajuda a antecipar o que pode ganhar ainda mais importância em 2027.
A seguir, reunimos sete tendências que merecem atenção das marcas na construção de suas próximas estratégias de marketing de influência.
1. Menos seguidores, mais afinidade com a marca
Durante muito tempo, o número de seguidores foi um dos principais critérios utilizados para selecionar influenciadores.
Mas alcançar muitas pessoas não significa necessariamente alcançar as pessoas certas.
Um criador pode reunir milhões de seguidores e, ainda assim, ter pouca conexão com o universo de determinada marca. Enquanto isso, outro influenciador, com uma audiência menor, pode conversar diariamente com consumidores interessados naquele segmento.
Essa diferença importa porque influência envolve mais do que exposição.
Em pesquisa publicada em 2026, a Sprout Social identificou que apenas 17% dos consumidores entrevistados nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália verificam a quantidade de seguidores de um criador antes de decidir interagir com seu conteúdo.
O dado não representa o comportamento de todos os consumidores brasileiros, mas reforça uma discussão relevante: o tamanho da audiência não explica, sozinho, o interesse despertado por um criador.
O que esperar para 2027?
A tendência é que a seleção de influenciadores considere cada vez mais a afinidade com a marca, o perfil da audiência, a credibilidade e a qualidade das interações.
Para as empresas, isso significa começar pelo objetivo da campanha e pelo público que desejam alcançar, em vez de iniciar a busca pelos maiores perfis disponíveis.
2. Micro e nanoinfluenciadores ganham espaço nas estratégias
Uma marca de cosméticos pode trabalhar com uma influenciadora conhecida nacionalmente para apresentar um lançamento.
Mas também pode encontrar oportunidades interessantes com criadores que conversam diretamente com comunidades interessadas em cuidados com a pele, beleza ou bem-estar.
São propostas diferentes, que podem inclusive se complementar.
Micro e nanoinfluenciadores costumam atuar com audiências menores e, em muitos casos, com interesses mais específicos. Isso pode favorecer estratégias de comunicação segmentadas e conversas mais próximas de determinados públicos.
Por outro lado, grandes influenciadores continuam tendo um papel importante em campanhas que buscam visibilidade ampla, reconhecimento e associação de marca.
A discussão, portanto, não deveria ser sobre qual grupo é melhor.
O que esperar para 2027?
Mais estratégias que combinam diferentes perfis de influenciadores, considerando o papel de cada um na campanha.
Uma marca pode utilizar criadores de grande alcance para ampliar sua presença e influenciadores de nicho para aprofundar conversas com públicos específicos.
O importante será entender o que cada parceria pode entregar dentro da estratégia.
3. Parcerias de longo prazo podem ganhar mais relevância
Imagine uma influenciadora que recomenda um produto pela primeira vez.
Agora pense nessa mesma criadora utilizando a marca em diferentes momentos, mostrando experiências reais e construindo familiaridade com o produto ao longo do tempo.
São formas distintas de comunicação.
Campanhas pontuais podem funcionar muito bem, especialmente em lançamentos, datas comerciais e ações específicas. Mas parcerias contínuas oferecem a possibilidade de desenvolver narrativas mais consistentes.
Quando existe afinidade entre a marca e o influenciador, o relacionamento pode evoluir de uma publicação isolada para uma colaboração que acompanha diferentes momentos da comunicação.
Isso não significa transformar todo criador em embaixador ou exigir contratos de longa duração.
Significa reconhecer que algumas conexões podem gerar mais valor quando existe continuidade.
O que esperar para 2027?
As marcas podem passar a avaliar não apenas quem contratar para uma campanha, mas quais criadores têm potencial para construir relações comerciais recorrentes.
Nesse cenário, a seleção inicial ganha ainda mais importância: uma parceria duradoura precisa fazer sentido para a empresa, para o criador e para sua audiência.
4. UGC ganha atenção, mas não substitui o marketing de influência
Você provavelmente já encontrou vídeos em que uma pessoa apresenta um produto, demonstra sua utilização ou compartilha uma experiência de forma simples e direta.
Esse tipo de linguagem se aproxima do universo do UGC, sigla para User Generated Content, ou conteúdo gerado por usuários.
No mercado, o termo também passou a ser utilizado para conteúdos produzidos por profissionais conhecidos como UGC creators, contratados para criar materiais com aparência mais cotidiana e próxima da experiência de consumo.
Mas existe uma diferença importante.
No marketing de influência, uma marca contrata um criador considerando, entre outros fatores, sua audiência, sua credibilidade e sua capacidade de distribuir conteúdo.
Já em uma contratação de UGC, o principal produto pode ser o conteúdo produzido, que será utilizado nos canais da própria marca ou em campanhas publicitárias, conforme os direitos negociados.
Um UGC creator não precisa necessariamente ter uma grande audiência.
Isso não torna um formato superior ao outro. São soluções que atendem a necessidades diferentes.
O que esperar para 2027?
Uma aproximação maior entre produção de conteúdo, campanhas publicitárias e estratégias com influenciadores.
As marcas poderão combinar criadores que distribuem conteúdo para suas comunidades com profissionais contratados para produzir materiais destinados aos canais da empresa.
A decisão dependerá do objetivo: alcançar novas audiências, produzir conteúdo, gerar consideração ou apoiar uma campanha de conversão.
5. Inteligência artificial avança, mas a confiança continua humana
A inteligência artificial já participa de diferentes etapas do marketing digital. No universo dos influenciadores, suas aplicações vão da análise de informações à organização de processos e ao apoio na produção de conteúdo.
O Influencer Marketing Benchmark Report 2026, publicado pelo Influencer Marketing Hub, identificou a descoberta de criadores como a aplicação mais frequente de inteligência artificial entre os profissionais que responderam à pesquisa, com 36,67% das respostas.
A produção de conteúdo e o desenvolvimento de briefings também apareceram entre as aplicações relatadas.
Esses usos apontam para uma oportunidade: reduzir atividades manuais e apoiar decisões com mais informações.
Mas existe um limite importante.
Uma ferramenta pode ajudar a encontrar perfis, organizar dados e comparar características de audiências. Isso não significa que consiga compreender, sozinha, todas as nuances de uma relação entre marca, influenciador e comunidade.
Também há questões de transparência e confiança quando conteúdos ou personagens são produzidos artificialmente.
Na pesquisa internacional da Sprout Social, 44% dos consumidores entrevistados disseram sentir desconforto com marcas que utilizam influenciadores gerados por inteligência artificial.
O que esperar para 2027?
Mais inteligência artificial nos bastidores das campanhas, especialmente em pesquisa, curadoria, organização e análise.
Ao mesmo tempo, a avaliação humana continuará importante para interpretar contexto, identificar afinidade e preservar a autenticidade das relações.
A tecnologia pode tornar a operação mais eficiente. Mas a confiança não deveria ser tratada como algo que pode ser automatizado.
6. Medir resultados vai exigir olhar além das vendas
Uma campanha de influência foi bem-sucedida porque gerou muitas visualizações?
Porque recebeu comentários?
Ou porque resultou em vendas?
A resposta depende do que a marca pretendia alcançar.
Se o objetivo era apresentar uma empresa a novos consumidores, alcance e reconhecimento podem ser indicadores relevantes.
Se a campanha buscava despertar interesse por um produto, vale observar interações qualificadas, visitas ao site e outros sinais de consideração.
Já em ações voltadas à conversão, resultados comerciais podem assumir um papel mais importante.
O problema começa quando todas as campanhas são avaliadas pelo mesmo indicador, independentemente de seus objetivos.
O Influencer Marketing Benchmark Report 2026 identificou o reconhecimento de marca como um dos principais indicadores de sucesso entre os profissionais participantes, mostrando que a avaliação de campanhas não se limita necessariamente às vendas diretas.
Isso não elimina a importância do retorno financeiro.
Significa reconhecer que o marketing de influência pode participar de diferentes etapas da jornada do consumidor e que nem todo efeito pode ser atribuído a uma única publicação.
O que esperar para 2027?
Mais atenção à definição de objetivos antes da contratação dos influenciadores.
As marcas precisarão estabelecer quais resultados desejam acompanhar, quais indicadores fazem sentido e quais limitações existem na mensuração.
A pergunta mais importante não será apenas quanto a campanha entregou, mas se entregou aquilo que havia sido planejado.
7. A profissionalização das campanhas deixa de ser diferencial
Encontrar o influenciador certo é uma parte importante de uma campanha.
Mas o trabalho não termina nessa escolha.
Existe uma operação que envolve contato comercial, negociação, briefing, contratos, aprovações, prazos, pagamentos e acompanhamento das entregas.
Mesmo uma campanha com um único criador pode exigir dedicação de diferentes profissionais.
Em empresas maiores, o processo pode ser ainda mais complexo, especialmente quando existem políticas de contratação, homologação de fornecedores e validações jurídicas ou financeiras.
À medida que o marketing de influência passa a integrar estratégias recorrentes das marcas, organizar essas etapas se torna cada vez mais importante.
A profissionalização também beneficia os criadores, que passam a trabalhar com expectativas mais claras sobre entregáveis, remuneração e condições comerciais.
O que esperar para 2027?
Uma valorização maior de processos estruturados, transparência comercial e gestão das relações entre marcas e influenciadores.
Nesse contexto, agências especializadas podem contribuir não apenas com a seleção de talentos, mas também com a negociação e a organização das parcerias.
Afinal, uma boa ideia precisa de uma operação capaz de transformá-la em realidade.
O que essas tendências significam para as marcas?
Embora cada tendência represente uma transformação diferente, existe um ponto em comum entre elas: o marketing de influência está se tornando mais estratégico e exigindo decisões mais conscientes.
Isso não significa que todas as marcas precisarão utilizar inteligência artificial, contratar dezenas de microinfluenciadores ou investir em UGC.
Também não significa que grandes influenciadores ou campanhas pontuais deixarão de funcionar.
O que muda é a necessidade de entender melhor o papel de cada escolha.
Uma marca que busca reconhecimento nacional pode precisar de uma estratégia muito diferente daquela que deseja conversar com uma comunidade específica.
Da mesma forma, uma empresa que procura conteúdos para seus canais pode ter necessidades distintas de outra que deseja construir uma parceria com um influenciador reconhecido por sua audiência.
Em 2027, mais importante do que acompanhar todas as tendências será identificar quais delas realmente fazem sentido para cada estratégia.
Como a Bairesfluence enxerga o marketing de influência em 2027
Na Bairesfluence, entendemos que a evolução do mercado abre novas oportunidades para marcas e criadores, mas também reforça a importância de construir parcerias com critério.
Mais do que acompanhar números de seguidores ou buscar o formato do momento, nosso olhar está na conexão entre a proposta da marca, o universo do influenciador e as pessoas que queremos alcançar.
Atuamos aproximando marcas e criadores por meio de curadoria, prospecção, negociação e acompanhamento das parcerias.
Porque, independentemente das plataformas, das tecnologias e das tendências que surgirem, acreditamos que uma boa estratégia começa por relações que fazem sentido.
Sua marca já está pensando nas campanhas de 2027?
A Bairesfluence pode ajudar você a encontrar criadores alinhados aos seus objetivos e transformar essas conexões em parcerias comerciais.
Vamos construir juntos?
